segunda-feira, 25 de junho de 2012

Comemoração dos 10 Anos da PAróquia

Neste último dia 22 de junho, a comunidade católica de Riachuelo comemorou uma Década de Evangelização da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus.
Para abrilhantar o evento, houve uma grande Romaria denominada a "Romaria do Encontro". Esta Romaria teve o objetivo de acolher a imagem de Santa Margarida Maria Alacoque, feita especialmente para ser da comunidade de Riachuelo. As paroquianas, todas vestidas de Rosa simbolizando a Saúde da mulher, fazendo alusão à Campanha da Fraternidade deste ano de 2012, foram as condutoras do andor que viajou de Bento Fernandes para Riachuelo, onde aconteceu o grande encontro: A imagem de Santa Margarida com a Imagem do Sagrado Coração de Jesus que foi conduzida até a Praça Cândido Batista pelos paroquianos homens, todos vestidos de azul. Na camisa de ambos estava escrito: Deus cuida de mim! (frente) E você? Se cuida?(atrás)
Tudo se deu de uma forma belíssima! Confira pelas fotografias tiradas durante o evento.
Fotos: Equipe Pastoral da Comunicação: Givaneide Santa Rosa, Sara Gertrudes e Byanca Medeiros


Mulheres se organizando para viajarem até Bento Fernandes


Já em Bento Fernandes e a caminho da Capela onde se encontrava a imagem de Santa Margarida
As mulheres não desistiram, mesmo em meio as dificuldades, seguiram rumo à Romaria


Santa Margarida Maria

A carreata de Santa  Margarida Maria com destino à Riachuelo-RN
A chegada em Riachuelo
 Homens a caminho da Praça Cândido Batista, conduzindo o andor do Sagrado Coração de Jesus

A espera do Encontro
O GRANDE ENCONTRO


A Fé inconfundível dos fiéis

Procissão 
A bênção derramada na cidade de Riachuelo foi tão forte que, sem que percebêssemos, até os faróis dos carros se manifestaram formando uma grande CRUZ, como podemos perceber nesta fotografia. É tudo real. É milagre de Deus!
A chegada À Igreja Matriz
Após a chegada das imagens no pavilhão da Igreja Matriz, 
aconteceu a Missa em Ação de Graças pelo Aniversário da Paróquia







 "Aniversário sem bolo não é aniversário" - Diz o Pe. Fábio. Então ao término da missa todos foram convidados para partilharem um grande bolo de 10 metros comemorando o I Congresso Eucarístico da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus.


 A felicidade estava estampada no rosto daqueles que amam o nosso Senhor Jesus Cristo
Paróquia unida faz a diferença!

PascomRiachuelo-RN: Porque comunicar, também é Evangelizar!

sábado, 23 de junho de 2012

Uma Década de Missão

A Paróquia do Sagrado Coração e Jesus este ano comemora "Uma Década de Missão".
São 10 anos de caminhada Paroquial, a qual será comemorada com o I Congresso Eucarístico Paroquial. A grande abertura deste Congresso se deu nesta última quinta-feira, Dia de Corpus Christi, com a Missa em Ação de Graças pela Instituição da Eucaristia.




Logo após a Missa, foi feita a Procissão de Corpus Christi, iniciou-se com a 1ª Bênção ainda na Igreja, depois em cortejo pelas ruas da cidade. A segunda bênção foi na Câmara Municipal, a terceira foi na Prefeitura. Logo em seguida, o Pe. Fábio conduziu o Santíssimo por cima do lindo tapete confeccionado pelos membros de pastorais.









Por último, já dentro da Igreja Matriz, foi proferida a bênção do Sacrário da Nova Capela, a Capela do Imaculado Coração de Maria, no Bairro Nossa Senhora da Conceição.


O grande evento, a Romaria de homens e mulheres que irá acontecer ainda neste mês de junho está sendo profetizado e protegido pela Oração dos fiéis, que estão realizando o Terço da Misericórdia 24h na Igreja Matriz. Todos estão convidados.

Pascom Riachuelo: Porque comunicar também é evangelizar!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Semana Santa: entenda as tradições que antecedem a Páscoa

               Com a celebração do Domingo de Ramos no último domingo, 1º, os católicos iniciaram a Semana Santa, que todos os anos mobiliza milhares de fiéis para reviver os últimos passos de Jesus Cristo. Diversas tradições são realizadas ao longo de toda a semana em preparação ao acontecimento mais importante para esses religiosos: a Páscoa do Senhor. 



Tradições populares

                Nem todas as celebrações da Semana Santa são universais. Procissão do Encontro, na Quarta-feira Santa, Procissão do Fogaréu, conhecida também como Noite da Prisão.
                Na  Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, por exemplo, foi realizado o Ofício das Trevas, tradição muito antiga e revivida esplendorosamente pelos fiéis, podendo contar com a colaboração do Grupo de Jovens Filhos da Luz, auxiliando com uma bonita procissão com os símbolos que lembram a Paixão de Jesus Cristo. A Igreja às escuras, lembra as Trevas do Senhor quando preso às correntes, a noite inteira na escuridão do calabouço para onde foi levado.



                Procissão do Enterro ou do Senhor Morto e Malhação do Judas no Sábado de Aleluia são algumas ações que não são realizadas em todas as paróquias. 
              De acordo com o assessor da Pastoral Litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Hernaldo Pinto Farias(Informações retirado do site Canção Nova Notícias), a explicação é que estas não são celebrações prescritas pela Igreja para a Semana Santa, mas fazem parte do universo da religiosidade popular e acabam sendo mais intensas em alguns lugares e em outros não. 
               Essas tradições podem ser vistas como práticas da piedade popular, o que a Igreja não condena. De acordo com padre Hernaldo, a piedade popular tem o seu valor na experiência de fé do povo; são práticas que ajudam o povo a se colocar nessa intimidade com o Senhor.  “É uma forma de eles manifestarem sua fé, à sua maneira, sim, mas o que temos que fazer que a Igreja sempre solicitou é que essas práticas não sejam fins em si mesmas, ou seja, que elas conduzam à verdadeira liturgia”, ressaltou padre Hernaldo. 

Significado das tradições da Semana Santa

- Missa de Ramos: abre a Semana Santa. Na procissão, o louvor do povo com os ramos é o reconhecimento messiânico da pessoa de Jesus 


Missa dos Santos Óleos: acontece na manhã da Quinta-feira Santa. O óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação. 

Missa de Lava pés: acontece na Quinta-feira Santa à noite. O gesto de Cristo em lavar os pés dos apóstolos deve despertar a humildade, mansidão e respeito com os outros. Neste dia, faz-se memória à Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Ainda na quinta-feira, o altar é despido para tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela Paixão e Morte de Jesus.

            Estas tradição aqui em nossa Igreja, fez alusão à Campanha da Fraternidade-2012: "Que a Saúde se difunda sobre a terra", lavando os pés, na pessoa de Pe. Fábio Joseph, não de 12 homens representando os apóstolos, mas sim os pés de 6(seis) representantes da Saúde de nosso município(homens e mulheres) e 6(seis) representantes dos enfermos(homens e mulheres) de nossa comunidade.
Foi uma Celebração muito bonita!


Ao término da Celebração, a bênção foi lançada a todos os participantes da Santa Missa pelo próprio Cristo, presente no Santíssimo Sacramento do Altar.


Logo após a bênção, segue um bonito cortejo, com a transladação do Senhor até o Centro de Pastoral, despojando, assim, a Igreja de Deus, iniciando-se um grande luto litúrgico. Todo esse movimento deu início ao Tríduo Pascal da Paróquia.

Tríduo Pascal: começa na Quinta-feira Santa. São três dias santos em que a Igreja faz memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. 

- Jejum e abstinência de carne vermelha: realizados na Sexta-feira Santa, constituem uma forma de participar do sofrimento de Jesus. É um dia alitúrgico na Igreja, com a celebração da adoração da Cruz. Impera o silêncio e clima de oração, fazendo memória à paixão e morte do Senhor.

A Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, fez jus a  este dia com muito pesar, realizando a Celebração da Adoração da Cruz. A celebração iniciou-se com a prostração do Pe. Fábio em frente ao altar. Fazer prostração quer dizer lançar-se de bruços no chão. É considerada como sinal de humildade, da dor mais profunda, da súplica de maior instância.



Ainda no ritmo de luto e sofrimento, foi acolhida a Cruz de Cristo, aquela depois os fiéis iriam beijá-la, como sinal de amor a Deus.




         Antes do Beijo da Cruz, foi introduzido o Cântico de Verônica.
         Primeiramente, falemos um pouco sobre Verônica, cujo nome deriva-se de “veros icona” (imagem verdadeira), pelo fato de segundo a Tradição da Igreja, ela ter enxugado o rosto de Cristo a caminho do Calvário, e a imagem do rosto de Cristo ter ficado gravada milagrosamente no véu. Este episódio não consta na Sagrada Escritura, apenas na Tradição da Igreja (1). O nome de Verônica é mencionado no livro apócrifo “Atos de Pilatos” (século VI), no capítulo VII, fazendo crer que se trata da mesma mulher curada por Jesus da hemorragia (cf. Lucas 8,43-48). 
       Pois bem, na procissão Verônica canta a lamentação: “Ó vós todos que passais pelo caminho, parai e vede se há dor igual à minha dor.” Ressaltando a dor do Cristo que padece pela humanidade. Note-se que é comum cânticos e lamentações em velórios, conforme o testemunho de São Marcos e S. Mateus: 

Ao término da encenação, O Pe. Fábio entoou o Cântico: Ó Face ensanguentada de Jesus, logo após "Verônica" Beija a Cruz e inicia-se assim uma grande procissão com o objetivo de toda a comunidade realizar o chamado "Beijo da Cruz", venerando a Cruz de nosso Jesus Cristo.

A Celebração foi ter seu término no Cemitério Público, para onde foi o cortejo do Senhor Morto . O crucifixo permanecerá a noite inteira no Cemitério até que neste sábado, dia 07 de abril, a partir das 5h da manhã inicie-se a grande Via-Sacra com o objetivo de pegar a Cruz de volta para nossa Igreja e iniciar os preparativos para o maior dia do ano litúrgico - A Vigília Pascal.

Vigília Pascal: é realizada no Sábado de Aleluia, em que se vai anunciar a ressurreição de Cristo; sua vitória sobre a morte. 


          A missa do Sábado de Aleluia será realizada na Igreja Matriz, a partir das 19h.
          Cada pessoa está incumbida de levar para este grande encontro, uma vela, para participar da Celebração da Luz. É o sábado anterior ao domingo de Páscoa, onde acende-se o Círio Pascal, uma grande vela que simboliza a luz de Cristo, que ilumina o mundo. Na vela, estão gravadas as letras gregas Alfa e Ômega, que querem dizer "Deus é o princípio e o fim de tudo”. O Sábado é o último dia da Semana Santa.


         No domingo, dia 08 de abril de 2012, acontecerá a V Feijoada de Páscoa! Senhas à venda pelo preço de R$ 5,00.
Participem irmãos e irmãs!

Pascom Riachuelo: Porque comunicar também é evangelizar! 

Nota
(1) Este episódio é relatado na VI estação da Via Sacra.

domingo, 4 de março de 2012

X ASSEMBLÉIA PASTORAL PAROQUIAL DE RIACHUELO-RN

         A Paróquia do Sagrado Coração de Jesus celebra hoje a X Assembléia Paroquial, neste ano em que também completa 10 anos de Paróquia e realiza o seu 1º Congresso Eucarístico Paroquial.
         A humanidade está passando por enormes transformações e nós não estamos  adaptando nossos métodos de evangelização. Por isso, os Bispos do Brasil pedem que aconteçam, em cada um de nós e em cada comunidade, uma CONVERSÃO PASTORAL.
         No intuito de planejar as atividades paroquiais é que reuniu-se neste dia 04 de março de 2012, a partir das 8h, no Centro Pastoral e Social Monsenhor Expedito, em Riachuelo-RN, membros das Pastorais desta Paróquia, tendo como mediador o Pároco Pe. Fábio Joseph.
          A reunião é centrada no Planejamento das Atividades realizadas a cada mês, durante todo ano litúrgico, mas também faz alusão à Campanha da Fraternidade-2012, que tem como tema: "Fraternidade e Saúde Pública" e como lema: "Que a saúde se difunda sobre a Terra".



 PascomRiachuelo: Porque comunicar também é evangelizar!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012




LancamentoCf2012Foi aberta, na tarde desta Quarta-Feira de Cinzas, a 49ª Campanha da Fraternidade (CF), cujo tema é “Fraternidade e Saúde Pública”, com o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”. A solenidade de abertura, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), foi dirigida pelo secretário geral da entidade, dom Leonardo Steiner, e contou com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; do secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, além de outros convidados.
CartazCF2012A CF-2012 tem como objetivo geral “refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobiliza por melhoria no sistema público de saúde”.

Realizada desde 1964, a Campanha da Fraternidade mobiliza todas as comunidades catóilcas do país e procura envolver outros segmentos da sociedade no debate do tema escolhido. São produzidos vários materiais para uso das comunidades com destaque para o texto-base, produzido por uma equipe de especialistas.

A Campanha acontece durante todo o período da Quaresma que, segundo o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, “é o caminho que nos leva ao encontro do Crucificado-ressuscitado”.
Em virtude deste acontecimento, foi realizada hoje, em nossa Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, uma Capacitação para a Campanha da Fraternidade - 2012, aos Paroquianos do X Zonal. Esta Capacitação foi preparada e Ministrada pelo Pe. Fábio Joseph, Vigário Paroquial de Riachuelo/Bento Fernandes. O objetivo desta Capacitação é deixar os leigos de nosso Zonal a par da importância desta Campanha e dar sugestões para o que pode ser feito em cada comunidade, para explanar este tema que é tão fundamental para a nossa vida, a Saúde.
Comunidades que participaram da Capacitação:
- São Paulo do Potengi-RN;
- São Tomé-RN;
- Santa Maria-RN;
- Barcelona-RN;
- São Pedro-RN;
-Bom Jesus-RN;
- Riachuelo/Bento Fernandes-RN (A primeira, Cidade Sede da Capacitação).
 Comunidades participantes
 Pe. Fábio Joseph


Agente verificando a pressão arterial de Pe. Neto
Para selar o compromisso da Igreja com o Tema da Campanha, foram convidados agentes da Área da Saúde para verificarem a pressão arterial e a glissemia dos participantes.

"E que a Saúde se difunda sobre a Terra".
Pascom Riachuelo-RN: Porque Comunicar também é evangelizar!

QUARESMA - EIS O TEMPO DE CONVERSÃO

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA 2012

“Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Heb. 10,24)
Irmãos e irmãs!

A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e pela partilha, pelo silêncio e pelo jejum, com a esperança de viver a alegria pascal. 

Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: “Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (10,24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor “com um coração sincero, com a plena segurança da fé” (v. 22), de conservarmos firmemente “a profissão da nossa esperança” (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, “o amor e as boas obras” (v. 24). Na passagem em questão, afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24 que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, reciprocidade e santidade pessoal.

1. “Prestemos atenção”: responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a “prestar atenção”: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a “observar” as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12,24), e a “dar-se conta” da trave que têm na própria vista, antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6,41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a “considerar Jesus” (3,1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte, o verbo que aparece na abertura da nossa exortação convida a fixarmos o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estarmos atentos uns aos outros, a não nos mostrarmos alheios e indiferentes ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela “esfera privada”. Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o “guarda” dos nossos irmãos (cf. Gn 4,9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé, deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter-ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: “O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo” (Carta Enc. Populorum Progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é “bom e faz o bem” (Sal 118/119, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de “anestesia espiritual” que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O Evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, “passam ao largo” do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10,30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de “prestar atenção”, de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Devemos sempre ser capazes de “ter misericórdia” por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Pelo contrário, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: “O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende” (Prov 29,7). Deste modo entende-se a bem-aventurança “dos que choram” (Mt, 5,4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O facto de “prestar atenção” ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui, desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma, tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: “Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber” (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18,15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de “corrigir os que erram”. É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto, a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou de censura; é sempre movida pelo amor e pela misericórdia, e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: “Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado” (Gal 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos em direcção à santidade. É que “sete vezes cai o justo” (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22,61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. “Uns aos outros”: o dom da reciprocidade.
O facto de sermos o “guarda” dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica, e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que “leva à paz e à edificação mútua” (Rm 14, 19), favorecendo “o próximo no bem, em ordem à construção da comunidade” (Rm 15, 2), sem buscar “o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos” (1Cor 10,33). Esta recíproca correcção e exortação em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada à dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que “os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros” (1Cor 12, 25) – afirma São Paulo – porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E saber reconhecer o bem que o Senhor faz nos outros e agradecer com eles os prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos, é também atenção aos outros na reciprocidade. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5,16).

3. “Para nos estimularmos ao amor e às boas obras”: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1Cor 12,31-13,13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, “como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia” (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo que nos é concedido na nossa vida é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim, a própria Igreja cresce e desenvolve-se para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegarmos à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de “pôr a render os talentos” que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à “medida alta da vida cristã” (João Paulo II, Carta Ap. Novo Millennio Ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: “Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima” (Rm 12,10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de se esforçar por crescer no amor, no serviço e nas boas obras (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Novembro de 2011

Benedictus PP. XVI